Pastoral vocacional
O encontro com Cristo no caminho de Damasco foi o momento determinante da experiência espiritual de Saulo de Tarso. Jesus entrou tão profundamente na sua vida, que a mudou completamente, e ele, de perseguidor, transformou-se em Apóstolo. Jesus tinha exigido aos Apóstolos que renunciassem a tudo; a São Paulo pede ainda mais: terá ele próprio de mudar radicalmente. Ele não tinha andado na escola do Senhor como os doze Apóstolos, nem tinha tido a extraordinária experiência de vida com o Mestre. Apesar disso, reivindica com firmeza a idoneidade para o apostolado, que recebeu directamente de Cristo por vontade do Pai (cf. GL 1,11-17; 1COR 9,1 e o começo de quase todas as Cartas).
Quanto à natureza da aparição no caminho de Damasco, Paulo não tem a menor dúvida: por vontade de Deus, viu Cristo Senhor, e por vontade de Deus foi chamado a ser
Apóstolo de Jesus Cristo. Atribui sempre a Deus Pai a sua conversão e a sua vocação para o apostolado. Foi por vontade do Pai que conheceu Jesus Cristo e lhe foi revelado o grande "mistério" de Deus; por isso, é Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus. Por isso também, e com todo o direito, pode ser chamado «Apóstolo» (cf. RM 1,1 ss.).
Por conseguinte, Paulo é:
- o apóstolo da luz: ele descreve o seu primeiro encontro com Cristo, o momento da sua chamada ao apostolado, como um fulgor de relâmpago;
- o apóstolo do sofrimento e da morte, pela sua identificação com a paixão e morte do Mestre;
- o apóstolo da liberdade;
- o apóstolo da universalidade: que abraçará e chegará a todo o mundo então conhecido, por se considerar "devedor a todos":
- o apóstolo que usará todos os meios para levar a todos a Palavra de salvação; pregando, viajando e escrevendo cartas;
- o apóstolo do amor, por ser ele alvo do amor extraordinário da parte de Deus.
Nas pegadas de São Paulo
Seguindo as pegadas de São Paulo, o padre Alberione teve a genial intuição de que, também nos nossos dias, é necessário usar todos os meios para transmitir a palavra de Deus. «A palavra de Deus não está algemada» (2TM 2,9), mas deve-se poder ouvi-la em todo o mundo (ACT 8,4.25; 13,5; 18,9 ss.¸1TS 1,8): [Comunicar] «a palavra de Deus aos homens de hoje com os meios de hoje».
O padre Alberione teve essa intuição carregada de graça vocacional na noite que separava os séculos XIX e XX, quando tinha apenas 16 anos. Desde então, na sua vida tudo se orientou para a realização daquilo que o Senhor lhe havia depositado no coração. A causa determinante que o impulsionou para o apostolado especÃfico foi a intuição do "magistério" de Jesus Cristo, resumida nas mesmas palavras de Cristo: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.» (JO 14,6)
Esta afirmação de Jesus converte-se para o padre Alberione e para todos os Paulistas em programa de vida, tão profundo e existencial, que deve levá-los a exclamar como São Paulo: «Eu vivo, mas já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim.» (GL 2,20) É preciso anunciar Cristo, mas antes é preciso vivê-l'O. Porque continua a ser verdadeiro, sobretudo para o Apóstolo, o aforisma de que "ninguém dá o que não tem". Para dar Cristo é preciso encher-se de Cristo: desse Cristo que nos invade com a totalidade da sua pessoa, esse Cristo que é preciso dar por inteiro, na sua totalidade, esse Cristo que é preciso anunciar com todos os meios, e especialmente com os meios modernos da comunicação, pois estes são um dom que Deus deu à humanidade e que permitem chegar às "massas".
Há pessoas que não vão à Igreja – dizia o padre Alberione. Então é preciso levar Deus aos lugares onde estão as pessoas: a casa, ao trabalho... Hoje, os homens têm mais fome do "pão da palavra de Deus" do que de pão material. Porém, muitos já não vão buscar esse pão aos lugares que, outrora, eram os sÃtios indicados para o encontrar; esperam encontrá-lo nos lugares onde se desenrola a sua vida do dia-a-dia. Por isso, a pregação não pode ser hoje apenas estacionária, mas também "itinerante". Não se deve, nem se pode, ficar simplesmente "à espera" dos filhos de Deus, mas é preciso ir "procurá-los", através da imprensa, do cinema, da rádio, da televisão e de todos os meios que a ciência inventar para comunicar. E é preciso que haja pessoas consagradas a este novo e desconcertante apostolado. Digamos que são necessários "novos apóstolos" para "novas maneiras" de evangelizar.